A minha alma expele felicidade…
Não é um gesto contido, nem um pensamento que se organiza em silêncio. É algo que escapa, que transborda, que encontra caminho mesmo quando tento segurar.
Por cada palavra escrita, há um mundo que se abre.
Não escrevo apenas com as mãos. Escrevo com aquilo que me atravessa — memórias, imagens, vozes que surgem sem pedir licença. São roteiros inteiros criados dentro de mim, cenas que acontecem antes mesmo de existirem no papel.
Às vezes, fecho os olhos… e já estou lá.
Caminhando por lugares que nunca visitei, conversando com pessoas que nunca encontrei, sentindo emoções que não sei explicar de onde vieram. E, ainda assim, tudo parece verdadeiro.
Talvez seja isso a escrita.
Um espaço onde a vida não precisa pedir permissão para acontecer.
Cada palavra que escolho carrega um pedaço de liberdade. Não aquela liberdade grandiosa que se anuncia ao mundo, mas a liberdade íntima — silenciosa — de poder ser quem sou sem precisar explicar.
Escrever me devolve a mim.
Há dias em que a alma pesa, em que o mundo se torna estreito demais, em que os pensamentos se acumulam sem saída. E então escrevo. E, ao escrever, algo se abre.
Como se o ar voltasse a circular.
Como se o que estava preso encontrasse passagem.
A felicidade, nesse caso, não é um estado. É um movimento.
Ela acontece no instante em que me permito sentir, no momento em que deixo que as palavras escorram sem medo de julgamento, sem a necessidade de parecer algo além do que são.
Escrever é, para mim, uma forma de respirar.
E talvez por isso a minha alma expele felicidade…
porque, ao escrever, eu me liberto.
E, ao me libertar, existo.
Sândra Camilo
15 de abril de 2026

Nenhum comentário:
Postar um comentário