quarta-feira, 29 de julho de 2009

Andei 665 km de Kombi




Foi com passos largos que percorri 665 km de Kombi até chegarmos ao destino.

Um lugar rústico, iluminado por candeeiros, como na época de meus avós. Sons de animais silvestres ecoavam, e, no céu estrelado, avistávamos as Três Marias.

Saímos cedo de casa, passando por diversas pequenas cidades. Um Estadão que cruzamos… cruzamos… e ainda assim parecíamos longe do destino.

O rádio sempre ligado. O locutor era substituído por diversas vezes. Tocavam músicas de sucesso, antigas, românticas  e aquelas famosas que fazem o peito doer de tanta saudade.

Quando falei em passos largos, referia-me à velocidade do condutor da Kombi. Enquanto acompanhava as músicas com sua voz, acelerava sem medo, não me dando tempo de ler as placas por completo.

Encantada com os diversos outdoors, admirava as propagandas… e o belo visual das cidades construídas pelo tempo.

Viajava em histórias criadas em minha mente a cada instante, a cada quilômetro percorrido.



Sândra Camilo


28.07.2009.

Cada palavra escrita




A minha alma expele felicidade ...

Por cada palavra escrita... nos roteiros criados em meus pensamentos...e deixo transbordar a liberdade



Sândra Camilo

domingo, 26 de julho de 2009

kombi Vermelha - Viagens pelo Estadao


UM EPISÓDIO DE MUITOS DO ESTADAO

Em minhas memórias, as viagens sempre foram longas.

Numa noite, fazia anotações das placas que via e lia.

Não sabia o que fazia ali… apenas tinha que ir.

As estradas de um grande Estadão  sim, porque São Paulo é um grande Estadão!

A Kombi vermelha era nossa condutora de rodas, e nós, seus companheiros.

Tratava-se de “pactos com o passado”. Hoje, os tenho como cenas curtas, lembradas insistentemente no decorrer dos meus dias.

O condutor da Kombi vermelha chegara à idade madura para os senhores, velho para os jovens e jovem para os velhos.

A placa que vi e li dizia assim: “Cavalo dado não se olha os dentes”. Exatamente no momento em que eu iria reclamar da demora  nunca chegava, e aquele estado foi se tornando grande demais.

Toda vez que perguntava: “Aonde vamos dessa vez?”, a resposta era a mesma… “Aqui mesmo no estado.”

Que estado é esse que não acaba e nunca chega?

Voltando à placa que li… “Cavalo dado não se olha os dentes”. Esse ditado popular, escrito na traseira de um caminhão, me fez ficar pensativa. Sim… porque, uma vez, enchi tanto o condutor da Kombi de perguntas… “Está perto?”, “Está chegando?”, “Falta muito?”… essas coisas…

E, quando chegamos… um lugar pra lá de lindo.

Lindo para quadros… cenas de filmes… recitar poemas… correr e correr, brincando com borboletas.

Não sinto saudades dos longos passeios, de correr atrás de borboletas, das distantes estradas dentro de um só estado.

A saudade é só do condutor falante.

Mais um episódio da Kombi no Estadão.

26.07.2009

Sândra Camilo

Renúncia




Publicado no Livro “PALAVRAS DO CORAÇÃO”, de Sandra Camillo

Renúncia

Renunciar por amor.

Ter que buscar a coragem
para renunciar!

Passei dias me preparando
para o dia.

O dia da renúncia.

No momento em que
fiz oportuno,

a dor era como um parto 
profundo,
na alma,
no peito
e no coração.

E a alma?

A alma se sentia penada,
jogada para fora do corpo,
ao vento e ao relento.

A força interna
não existia

e resistia
à dor maior,

à suprema dor,

a dor que a renúncia causou.

O amor
do coração
e da alma.

Amor de alma,
amor de carma,
amor com paixão.

E agora… entregue à solidão.

Renunciar por amor,
com dor e sem pudor.

O momento em que fiz oportuno,
assinando o sepultamento
de uma história 
uma verdadeira história de amor.


31.01.2007 14h00min

Atuar







27-07-2009
Sândra Camilo