quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O Silêncio é o remédio e o veneno





Silêncio, por favor…
eu quero escrever para o coração.

Hoje resolvi fugir um pouco —
não vou escrever sobre viagens pelo Estadão.

Quero falar do que senti
durante algumas viagens.

Não das cidades,
nem das ruas que atravessei,
nem dos nomes que ficaram nos mapas.

Mas das pausas.

Dos silêncios que me encontraram
quando ninguém mais estava olhando.

Viajei por dentro.

Em lugares onde o tempo não existe
e a memória respira devagar.

Houve dias em que fui casa,
outros… em que fui passagem.

Houve encontros
que não pediram palavras,
e despedidas
que nunca disseram adeus.

E em cada viagem…
levei um pouco de mim
e deixei outro tanto
sem perceber.

Porque viajar
não é apenas ir 

é também perder,
é também transformar,
é também voltar
sem ser a mesma.

Hoje, escrevo
não para contar onde estive,

mas para lembrar
quem me tornei
em cada lugar que senti.

Silêncio…

porque ainda estou escrevendo
com o que ficou
dentro de mim.


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