Vejo a luz acesa na janela.
Caminhava com pressa para chegar —
até que ela me deteve, silenciosa.
Há um anseio estranho
que me envolve
e me devolve
a um outro lugar.
Sinto-me presa,
desolada,
sem ninguém a quem falar.
Meus olhos se fecham,
como se recusassem o mundo.
Minha alma se esconde,
recolhe-se de tudo.
As pernas tremem,
envoltas em arrepios
que nascem só de pensar.
A luz da janela, acesa, me enjoa —
porque eu sei
o que existe lá.
E, ainda assim,
é para lá que pertenço.
O Estadão é o meu lugar.
21/10/2014 — 22:05
São Paulo
