domingo, 26 de julho de 2009

kombi Vermelha - Viagens pelo Estadao


UM EPISÓDIO DE MUITOS DO ESTADAO

Em minhas memórias, as viagens sempre foram longas.

Numa noite, fazia anotações das placas que via e lia.

Não sabia o que fazia ali… apenas tinha que ir.

As estradas de um grande Estadão  sim, porque São Paulo é um grande Estadão!

A Kombi vermelha era nossa condutora de rodas, e nós, seus companheiros.

Tratava-se de “pactos com o passado”. Hoje, os tenho como cenas curtas, lembradas insistentemente no decorrer dos meus dias.

O condutor da Kombi vermelha chegara à idade madura para os senhores, velho para os jovens e jovem para os velhos.

A placa que vi e li dizia assim: “Cavalo dado não se olha os dentes”. Exatamente no momento em que eu iria reclamar da demora  nunca chegava, e aquele estado foi se tornando grande demais.

Toda vez que perguntava: “Aonde vamos dessa vez?”, a resposta era a mesma… “Aqui mesmo no estado.”

Que estado é esse que não acaba e nunca chega?

Voltando à placa que li… “Cavalo dado não se olha os dentes”. Esse ditado popular, escrito na traseira de um caminhão, me fez ficar pensativa. Sim… porque, uma vez, enchi tanto o condutor da Kombi de perguntas… “Está perto?”, “Está chegando?”, “Falta muito?”… essas coisas…

E, quando chegamos… um lugar pra lá de lindo.

Lindo para quadros… cenas de filmes… recitar poemas… correr e correr, brincando com borboletas.

Não sinto saudades dos longos passeios, de correr atrás de borboletas, das distantes estradas dentro de um só estado.

A saudade é só do condutor falante.

Mais um episódio da Kombi no Estadão.

26.07.2009

Sândra Camilo

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