domingo, 2 de agosto de 2009

Teria ela três pernas?


...

Quem via a cena de longe ficava na dúvida: teria ela três pernas?

A pequena era magra, feito o cabo da enxada. Olhar centrado, mente perdida entre matos e plantas… o que poderia estar pensando aquela pequena cabeça?

Talvez lembrasse dos brinquedos deixados no canto do quarto,
talvez fizesse cálculos de quanto tempo levaria para terminar — quem sabe a lição que a professora passou na última aula,
ou ainda viagens feitas pelo Estadão.

Era um emaranhado de informações na cabeça da pequena.

Sim… quando falei que poderia confundir por parecer ter três pernas, a terceira era a enxada, escorada no chão a cada cinco carpinadas. Os braços compridos e franzinos não suportavam por muito tempo o peso da ferramenta.

O dever do dia foi cumprido.

Saiu correndo entre plantações de caju, com os braços abertos, sentindo o vento tocar-lhe o rosto — como gostava de fazer nas viagens, olhando pelo retrovisor da Kombi, onde, por muitas vezes, brincou com as próprias mãos ao vento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário